| 2009/2010
Cenofobia
de André e. Teodósio
E porque isto é tudo um JOGO. Um quebra-cabeças.
Um Do It Yourself para adolescentes.
CENOFOBIA de André e. Teodósio marca mais uma participação do grupo de teatro Na Xina Lua da Escola Secundária de Tondela no Projecto PANOS da Culturgest. De acordo com o autor, este é "um texto (em construção) que pretende ser o oposto radical de um texto tipicamente teatral onde a linearidade impera".
CENOFOBIA, segundo o autor, "consiste num grupo de pessoas que tem de fazer alguma coisa para alguém. Por mais cruel que seja esta verdade do teatro (quantas vezes queremos ficar deitadinhos na cama a ouvir a chuva na rua em vez de ir fazer espectáculos), ela é a condição revolucionária desta arte. Temos de fazer alguma coisa. E para alguém, porque senão a coisa toma conta de nós (o que é um paradoxo, uma vez que se sentimos que temos de fazer alguma coisa, é porque há já alguma coisa a exigir-nos que façamos alguma coisa para que a tal coisa não nos coisifique!). Complexo? Lá está, é um jogo. E porque isto é tudo um JOGO, só vos peço que não encarem este texto como um texto típico de teatro. E que tipo de jogo será, perguntarão? Hm. Um quebra-cabeças!"
O escritor propôs-nos um " Do It Yourself para adolescentes" e nós escolhemos as cenas A, 1, 3, 7 e B. Mantivemos esta sequência (ou talvez não) porque não houve tempo para pensar noutra. Não incluímos os flashback. Não nos dava jeito. Aproveitámos algumas didascálias e outras esquecemo-nos completamente.
Os actores escolheram o texto que queriam dizer e inventaram texto. E assim falam deles. Trouxeram de casa a roupa para se vestirem ou pediram aos amigos. Se os actores tiverem que estudar para os testes ou exames, podem até nem estar em palco, podem ser público, podem ser assistentes de encenação, podem só chegar no fim do espectáculo.
Os Andrés e as Andreias diferenciam-se em palco pelo que dizem e pelo que fazem. Às vezes não se diferenciam. Reproduzem os mesmos gestos, os mesmos movimentos, concordam uns com os outros. Às vezes zangam-se, assustam-se uns aos outros. Ocupam o palco da ACERT desde Setembro como quem ocupa a casa de um amigo quando os pais não estão. Mas não querem estar ali. Manifestam-se. Querem ser invisíveis. Revoltam-se contra o/s ANDRÉ/s. Reivindicam. Têm "Rei (na) acção". São Reis na acção.
Mas, "quando no final gritam incessantemente «Fechem a cortina», mal imaginam que acabaram de se transformar neles, que foram engolidos pelo sistema".
Ficha Técnica
Andrés e Andreias
Cokas Henriques/ André: o ser que não sabe o que é o mundo, quer dizer, sabe, mas só do seu próprio mundo. Não sabe o que está a fazer, não tem controlo sobre si próprio.
Diana Chen/ Andreia: finge-se rapaz mas é uma rapariga, convencida, não gosta de estar na mesma situação durante muito tempo.
Daniel Figueiredo/ André: o tolinho, o sonhador, é aquele que quer tudo e não tem nada. O André somos todos e não é ninguém.
Diana Pinheira/ Andreia: a cara-metade de Diana, tola, descontrolada, convencida, pensa que toda a gente olha para ela.
Filipa Rei/ Andreia: tem ideias avariadas, tudo lhe parece confuso.
Gustavo Marques /André: o multifacetado, sabichão, cheio de curiosidade, tem medo do teatro, faz-se passar por outras personagens.
Joana Neves/ Andreia: gosta de implicar.
Jorge Martins/ André: o sonhador nato, é aquele que quer tudo e não quer nada. Toca tudo e não toca nada.
Lia Bruno/ Andreia: a atrevida, a teimosa. Gosta de expressar a sua opinião. Gosta do André. É a estrela de dois tempos, e, futuramente, será coroada pelo seu ( in)sucesso.
Madalena / Andreia: a tola, tem medo do teatro e não sabe o que quer.
Marta Adão/ Andreia gosta de dar nas vistas.
Vanessa Alta/ Andreia: maluca, infantil, nostálgica, gosta de ser invisível, sempre que pode foge de cena. É completamente snobfoba.
Vanessa Baixa/ Andreia: passa a vida a brincar e a pensar nas grandes questões da vida, não usa metáforas, é pragmática.
Sabi Carmelo/ Andreia: burra que nem uma porta, mas é mais inteligente que o Einstein, é assim uma coisa abstracta que se adapta a mim, é tipo contol-freak. Às vezes nem está no palco.
Luís Sacras/André: não tem humor fixo, pode estar bem-disposto e logo a seguir ficar de mau humor, não sabe o que anda a fazer neste mundo, tem um mundo próprio.
Sophia Coimbra/Andreia: louca, maldosa, que passa uma imagem de pessoa respeitável. Na verdade, o seu objectivo é tornar-vos loucos como todos nós.
Tiago Pereira / André: Talvez venha.
ANDRÉ – Ninguém o vê. É a criatura invisível. Está lá, ou não. É o ídolo dos Andrés e Andreias, mas…não gostam dele. É tirano, é sociopata. ANDRÉ é:
Gil Rodrigues (Encenação)
Paulo Neto (Luminoténia e desenho de Luzes)
The Art of Noise, a time for fear (música)
João Silva (Cartaz)
Rui Ribeiro, Paraíba (objectos cenográficos)
CarlosTeles (Fotografia)
Outros ANDRÉs
João Almiro, Teresa Guedes, os ex-NAXINALUA, as Estagiárias da ACERT (colaboradores e apoiantes)
ACERT, Escola Secundária de Tondela, Câmara de Tondela (colaboradores e apoiantes)
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| 2008/2009
Refuga
de Abi Morgan
Uma peça onde “pequenos” grandes actores visitam sonhos e países perdidos…
Kodjo tem 14 anos mas ninguém acredita nele. Ara vem de Bagdad e ainda ouve as bombas à noite. Chang consegue dar mortais para trás e a sua aldeia natal, na China, conta mais de mil anos. Todos têm o seu passado, os seus segredos.
A mãe de Chang morreu num camião a caminho do Reino Unido – uma terra de promessas que, em vez de lhes abrir os braços, simplesmente não os quer. Órfãos em Londres, são agora a única família uns dos outros.
Kodjo é o rapaz que acabou de chegar. Juntos, contam a sua história. Uma infância perdida, árvores altas e um assassínio em movimento, o trauma da guerra e da morte da sua família, um assassínio cometido por uma criança que toda a gente diz que é um homem. Ninguém acredita nele; é apenas mais um entre os menores desacompanhados que chegam à cidade e se vêem sozinhos nas suas ruas, revivendo as memórias desordenadas do seu percurso de vida.
Na génese desta peça está um sentido de compromisso com a defesa dos Direitos Humanos e dos Direitos das Crianças, bem como a vontade de denunciar a realidade cruel e actual que assombra um país europeu, onde jovens abandonados têm de se tornar adultos antes do tempo. Um trabalho que marca uma nova participação do colectivo no Projecto “PANOS (Palcos Novos, Palavras Novas)”, da Culturgest, direccionado para grupos de teatro escolar/juvenil.
O espectáculo tem também um grande significado para os jovens actores que, alimentados pela vontade de superar os seus próprios limites, aguardam ansiosamente o momento de pisar o palco. Tal como a Vanessa, que antecipa as emoções: “O meu estômago contorce-se, as minhas pernas tremem e o nervosismo está a aumentar. Torço para que esteja à altura deste novo desafio”.
Actores: Guida, Cadu Barros, Diogo, Manel, Samanta, Salomé, Sofia, Filipa,
Madalena, Vanessa, Marta, Lia, Bruna, Dannyel, Daniela, Anita
Encenação/Assistência: Gil Rodrigues/João Almiro
Cartaz: João Silva
Figurinos e Adereços: Danny
Técnicos: Paulo Neto, Cajó
Banda Sonora Original: Gustavo Dinis
Fotografia: Carlos Teles
Multimédia: Rui Sérgio
Apoios: Toda a equipa da ACERT, Câmara Municipal de Tondela, Ex-Membros do
Grupo “Na Xina Lua”
Agradecimentos especiais: João Luís Oliva e Pompeu José |
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